Muitos não sabem, mas a terapia hormonal pode ser usada como coadjuvante da terapia não farmacológica e profilática convencional da enxaqueca. E a profilaxia hormonal não precisa ser deixada para último plano.

Primeiramente, é importante a diferenciação de migrânea menstrual pura de migrânea relacionada a menstruação. A profilaxia hormonal parece ser mais efetiva para a migrânea menstrual verdadeira do que para a segunda.

Como é feita essa classificação?

A enxaqueca menstrual pura: Ocorre exclusivamente no dia 1 ± 2 (p. ex: dias -2 a +3) da menstruação em pelo menos dois de três ciclos menstruais e não em outras ocasiões do ciclo.

Enxaqueca sem aura relacionada com a menstruação: Ocorre no dia 1±2 (p. ex: dias -2 a +3) da menstruação em pelo menos dois de três ciclos menstruais, e adicionalmente noutros momentos do ciclo.

Existe também a cefaleia por supressão de estrogênio: Paciente em uso de estrogênios por 3 semanas e a cefaleia aparece em 5 dias após o último uso de estrogênio e desaparece dentro de 3 dias.

Dentre as várias formas de terapia hormonal que podem ser utilizadas, algumas possíveis estratégias podem auxiliar no tratamento da paciente.

Estratégia 1

  • Uso contínuo de anticoncepcionais por 6-12 semanas, eliminando a diminuição súbita de estrogênio mensal, responsável por essa cefaleia.
  • Uso de pílulas monofásicas
  • A estratégia inicial seria usar pílulas contendo 20ug de etinilestradiol ou menos, que levam a uma menor redução do nível do estrogênio na semana de intervalo do pílula

Estratégia 2

  • Uso de estradiol transdérmico ou estradiol gel percutâneo no período perimenstrual

Estratégia 3

  • Na contraindicação de contraceptivos com etinilestradiol, podem ser usados:
    • Minipilula com levonogestrel;
    • Pilula de progesterona de media dosagem com desogestrel;
    • Implante subdérmico de etonogestrel e o
    • Endoceptivo de levonogestrel

As orientações contidas neste texto devem ser utilizadas como guia para profissionais da área médica, principalmente médicos da dor, neurologistas e ginecologistas. A terapia hormonal deve ser individualizada para cada paciente.

Fonte: Livro Cefaleia na mulher – Dra Eliana Melhado