É comum a piora da enxaqueca em pacientes no período do climatério, e é importante entender a influência hormonal em alguns casos para conduzir melhor o tratamento clínico.

Alguns pacientes não apresentam a indicação de terapia hormonal (TH), portanto receberão apenas o tratamento convencional para enxaqueca. Outros pacientes terão indicação de usar a TH, então devemos utilizá-la de forma a diminuir a migrânea. Para mulheres com migrânea, baixas doses de preparações não orais de estradiol deveriam ser recomendadas como primeira escolha. A aura de migrânea não é uma contraindicação ao uso de terapia hormonal não oral. Se a aura não se resolve, deve-se avaliar a retirada do estrogênio e considerar estratégias não hormonais quando indicadas.

É frequente observar também a piora da migrânea na vigência de terapia hormonal. O médico deve, então, mudar a via de administração, preferindo a transdérmica, diminuir as doses e preferir o seu uso contínuo (sem pausas).

Se ainda assim houver falha e a cefaleia continuar, deve-se considerar suspender a terapia hormonal, usar tratamento convencional para enxaqueca e tentar alternativas como a tibolona ou fitohormônios.

Sabemos também que escitalopram ou venlafaxina podem beneficiar mulheres com enxaqueca e sintomas vasomotores nas quais os estrogênios são contra-indicados.

As orientações contidas neste texto devem ser utilizadas como guia para profissionais da área médica, principalmente médicos da dor, neurologistas e ginecologistas. A terapia hormonal deve ser individualizada para cada paciente.

Fonte: Livro Cefaleia na mulher – Dra Eliana Melhado