O ano de 2020 foi marcante com relação ao tratamento de enxaqueca no Brasil: Foi iniciada a venda dos novos remédios para enxaqueca no nosso país. Mas qual a diferença destes novos remédios com os tradicionais já conhecidos (topiramato, amitriptilina, propranolol, entre outros)?

O tratamento preventivo tradicionalmente utilizado não foi desenvolvido especificamente para a enxaqueca. São basicamente medicações antidepressivas, antiepilépticas ou anti-hipertensivas que descobriu-se tratar/controlar a migrânea. São medicações com eficácia comprovada, porém apresentam algumas limitações:

  • Uso via oral, diário, às vezes mais de 1 vez por dia (o que dificulta a aderência)
  • Por não ser específica, podem trazer efeitos colaterais (toleráveis ou não)

O avanço no entendimento da migrânea (enxaqueca) permitiu o desenvolvimento da terapia preventiva específica para esta comorbidade: anticorpos monoclonais contra o CGRP ou seu receptor.

Qual o papel do CGRP na enxaqueca?

  • Na crise de enxaqueca, foram encontrados níveis elevados de CGRP no plasma, saliva e líquor;
  • Infusão intravenosa de CGRP gera crise de enxaqueca em 60% dos enxaquecoso;
  • Uso de triptanos normaliza os níveis de CGRP (resolvendo a crise)

Entendendo essa fisiopatologia, fica mais fácil entender que o medicamento específico pode ter uma boa eficácia, e que por agir no alvo específico, gera menos efeitos colaterais.

Opções disponíveis no mercado hoje:

  • Erenumabe (Pasurta)
  • Galcanezumabe (Emgality)
  • Fremanezumabe (Ajovy)

Vantagens:

  • Todos são auto aplicáveis, subcutâneo, de frequência mensal (com exceção do Ajovy que pode ser mensal ou trimestral);
  • Todos eles são eficazes na enxaqueca episódica (de 4 a 14 crises por mês) e crônica (a partir de 15 crises por mês), até mesmo naqueles refratários a tratamentos prévios ou com história de uso excessivo de analgésicos;
  • Excelente perfil de tolerabilidade, com baixos níveis de efeitos colaterais (comparável com o placebo nos estudos);
  • Não necessita titulação de dose (já inicia com a dose alvo);
  • Rápido início de ação (muitos estudos demonstraram início de ação a partir de 7 dias da primeira aplicação);
  • Benefício progressivo com o tempo de uso;
  • Segurança para uso prolongado.

Desvantagens:

  • Custo elevado quando comparado ao tratamento oral;
  • Não substitui a terapia tradicional utilizada. Alguns paciente talvez precisem de associar outros tratamentos;
  • Não está disponível pelo SUS.

Consulte o neurologista especializado no tratamento de dores de cabeça para saber qual a melhor conduta para seu caso específico. O tratamento da enxaqueca deve ser individualizado.

Referências: Dodick, D W. CGRP ligand and receptor monoclonal antibodies for migraine prevention: Evidence review and clinical implications. Cephalalgia 0(0) 1–14.