O herpes-zóster, popularmente chamado de cobreiro, acontece devido a infecção pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ). Normalmente esta infecção acontece por via respiratória na infância e atualmente 90% dos adultos já foram infectados (prevalência de anticorpos anti VVZ é de 94,2%). Isso quer dizer que quase todos os adultos do Brasil estão sob o risco de desenvolver herpes-zóster.

A infecção primária acontece na infância na forma da catapora. O vírus é transportado da pele para os nervos e permanece latente no gânglio da raiz dorsal. A queda da imunidade do paciente (mesmo que pela idade) pode reativar o vírus, causando inflamação dos neurônios e consequentemente dor aguda.

Na fase aguda do herpes zoster o paciente apresenta normalmente lesões de pele, redução da sensibilidade e dor local mesmo com estímulos não dolorosos Na fase aguda é indicado tratamento com antiviral em até 72h, associado a antiagregante plaquetário (risco de evento neurovascular) e medicação para dor neuropática. O corticóide pode reduzir o desconforto nesta fase da doença.

A complicação mais comum do herpes zóster é a neuralgia pós-herpética. Ela consiste numa dor que persiste após 3 meses da cicatrização das lesões de pele. A dor pode ser constante, intermitente ou desencadeada por estímulos não dolorosos no local (como o simples encostar da roupa na pele). Pacientes também podem evoluir com coceira na região acometida.

Os fatores de risco para a neuralgia pós herpética são:

  • Idade avançada
  • Imunossuprimidos
  • Pacientes com doenças auto-imunes
  • Acometimento do ramo oftálmico do trigêmeo
  • Comorbidades associadas (asma, diabetes, tabagismo…)

O risco de recorrência de herpes zóster nas pessoas que tiveram a doença previamente é igual ao da população geral. Não gera imunidade.

Todos sabemos que é melhor prevenir do que tratar. A vacina está indicada para adultos maiores de 50 anos com ou sem episódios prévios de herpes zoster.

O tratamento deve ser feito por especialista para o paciente obter uma melhor eficácia. É indicado medicações que agem no sistema nervoso central, nos nervos periféricos e na dor. Além dos medicamentos orais, outros auxiliam muito nessa abordagem ampla.É o caso do emplastro de lidocaína, assim como o uso da toxina botulínica.

Outras terapias não farmacológicas também que contribuem muito para o tratamento:

  • Estimulação eletrica transcutânea (TENS)
  • Crioterapia
  • Uso de roupas de algodão
  • Acupuntura
  • Acompanhamento psicossocial.

Dicas:

  • analgesicos comuns (dipirona, paracetamol, antiinflamatórios) são de pouca valia nestes casos
  • manter tratamento mínimo de 3 meses antes de tentar reduzir medicações
  • faça o tratamento com um médico e equipe multidisciplinar especializada em dor.